Homem que agrediu namorada com mais de 60 socos no rosto afirma medo de ser linchado e morto na cadeia

A história de Juliana Garcia virou assunto em todo canto. Ela foi brutalmente agredida pelo ex-companheiro, Igor Cabral, que, segundo as investigações, desferiu mais de 60 socos nela durante um ataque covarde e desumano. Um crime que deixou marcas físicas e emocionais profundas — nela e em quem acompanhou o caso. Mas o que chama atenção, além da violência absurda, é o rumo que tudo tomou desde então.

Agora, Igor tá atrás das grades e, veja só, diz estar com medo de morrer na cadeia. A ironia bate pesado. O homem que aterrorizou a vida de uma mulher agora teme pela própria segurança. É difícil ter empatia quando se pensa na dor que ele causou, na covardia do ato, na destruição que deixou pra trás. Mas, como dizem por aí, o sistema é duro pra todos, até pros monstros.

Juliana, por outro lado, virou uma voz. Uma força. Mesmo com o rosto desfigurado e com o trauma ainda latente, ela escolheu não se esconder. Em entrevistas, postagens e participações em programas, ela tem mostrado uma coragem que inspira. Recentemente, esteve em uma roda de conversa em São Paulo sobre violência contra a mulher, ao lado de ativistas e outras vítimas. E o que ela falou ali tocou fundo: “Não é só apanhar. É o medo, o controle, o silêncio forçado. É perder a si mesma um pouco todo dia.”

É impossível não lembrar de casos parecidos, infelizmente cada vez mais frequentes. O Brasil ainda engatinha quando o assunto é proteger de verdade quem sofre com relacionamentos abusivos. A Lei Maria da Penha existe, claro. Mas na prática, a engrenagem é lenta, burocrática, e muitas vezes não impede que a tragédia aconteça. Quantas mulheres ainda vão precisar gritar — ou pior, calar — pra que alguma coisa mude?

A repercussão do caso foi imediata. Celebridades se manifestaram nas redes, movimentos feministas voltaram a ocupar os espaços, e até políticos começaram a usar o tema pra ganhar visibilidade. Nem sempre com boas intenções, diga-se. Mas se tem um lado positivo nessa comoção toda, é que a história de Juliana virou um símbolo. Um alerta. Uma sacudida.

E olha, não é fácil falar disso. Muita gente prefere virar o rosto, achar que é exagero, ou dizer que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. Mas essa velha frase, além de ultrapassada, é perigosa. Porque o silêncio mata. Literalmente.

Juliana sobreviveu. E mais do que isso: ela está se reconstruindo. Fez um vídeo outro dia mostrando o progresso das cirurgias no rosto, agradecendo o apoio que tem recebido, e dizendo que quer ajudar outras mulheres a romperem o ciclo da violência. Disse também que, mesmo com medo, vai continuar lutando. E isso, num país onde o feminicídio cresce a cada ano, já é um ato de resistência.

O caso ainda tá rolando na Justiça, e o desfecho ninguém sabe ao certo. Mas o que fica por enquanto é a lição: não se pode normalizar a violência. Seja ela física, psicológica ou emocional. Denunciar, apoiar, escutar — tudo isso importa. E muito.

Que a história de Juliana não caia no esquecimento como tantas outras. Que ela sirva de espelho, de impulso, de esperança. Porque, no fim das contas, cada mulher que consegue sair viva de um relacionamento abusivo já venceu uma guerra invisível. E precisa ser ouvida.