Na noite da última quinta-feira (17), durante a edição do Jornal Nacional, William Bonner — com o semblante mais carregado do que de costume — dividiu com os telespectadores uma daquelas notícias que gelam o estúdio e pesam no coração de quem tá em casa assistindo. Ao lado de Renata Vasconcellos, ele informou sobre um ataque aéreo em Gaza que terminou em tragédia: três mortos e dez feridos. Entre os atingidos, estava o padre Gabriel Romanelli, figura importante que mantinha contato direto com o Vaticano.
Bonner foi direto: “Um ataque israelense atingiu a única igreja católica da Faixa de Gaza. Três pessoas morreram. Entre os dez feridos, o padre Gabriel Romanelli, que mantinha o papa Francisco informado semanalmente sobre o que se passa na região.” Dito isso, ficou aquele silêncio constrangedor no estúdio — e talvez também nas salas do Brasil inteiro.
A Faixa de Gaza, que já vive uma realidade pra lá de difícil com confrontos quase diários entre Israel e o Hamas, agora soma mais uma triste página nesse capítulo que parece não ter fim. A igreja atingida não era só um templo religioso, mas também um abrigo improvisado para cristãos que vivem num território majoritariamente muçulmano — onde a violência, infelizmente, parece já ter virado rotina.
As autoridades israelenses afirmaram que o alvo principal não era a igreja, mas uma área próxima que estaria sendo usada por milicianos. O problema é que, mesmo sem intenção (pelo menos oficialmente), o estrago foi feito. Fragmentos da explosão acertaram a igreja, e o exército de Israel assumiu a responsabilidade, dizendo que vai investigar o caso internamente. Só que, né, a tragédia já aconteceu.
O padre Gabriel, que já era conhecido na região, foi ferido. Ele vinha sendo uma ponte entre Gaza e o Vaticano, repassando informações diretamente ao papa sobre o que acontece ali no meio do conflito. Felizmente, o ferimento não foi fatal, mas abalou profundamente a comunidade e também líderes religiosos de outras partes do mundo. Afinal, ele era uma das últimas figuras representativas da Igreja Católica naquele pedaço tão instável do planeta.
A igreja, que já era vista como um ponto de refúgio, agora virou símbolo da fragilidade da fé em tempos de guerra. Muitas famílias cristãs usavam o local como esconderijo, tentando se proteger do horror dos bombardeios. Depois do ataque, além dos escombros, ficou a sensação de que nem ali se pode mais buscar segurança. E isso é desesperador.
Rapidamente, organizações internacionais se manifestaram. A Human Rights Watch, entre outras, condenou o ataque e pediu investigações sérias. A própria Santa Sé também soltou uma nota demonstrando preocupação e exigindo garantias para os religiosos e civis da região.
Infelizmente, não é a primeira vez que um local sagrado vira alvo — direto ou colateral — de ações militares. E a pergunta que sempre volta é: até onde vai o direito de guerrear, e onde começa o dever de respeitar a fé, a vida civil e a dignidade das pessoas?
Num momento em que o mundo inteiro acompanha apreensivo os desdobramentos da guerra entre Israel e o Hamas, esse tipo de episódio só reforça o quanto a religião — que deveria ser porto seguro — se mostra frágil. Muito frágil.
No Brasil, o caso segue repercutindo, mas mais do que indignação, o que se ouve nas entrelinhas é um apelo: que não se normalize isso. Que não se aceite que igrejas virem escombros. Porque cada bomba que cai ali, cada inocente que morre, é mais um lembrete cruel de que a humanidade continua tropeçando nas mesmas dores — e parece, infelizmente, não aprender nunca.